AgRg no REsp 2.230.017/PB
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Título Técnico
Estelionato previdenciário. Casamento celebrado para obter pensão por morte. Benefício legalmente instituído. Ausência de fraude. Atipicidade da conduta.
Tese Firmada
A obtenção de benefício previdenciário, quando não evidenciada fraude no preenchimento dos seus requisitos legais, não caracteriza vantagem indevida para fins de enquadramento típico do crime do art. 171, § 3º, do Código Penal.
Pano de Fundo
A CONTROVÉRSIA — Discute-se se a celebração de casamento com o suposto objetivo exclusivo de obtenção de pensão por morte, seguida do falecimento do cônjuge e da percepção do benefício, caracteriza o crime de estelionato previdenciário (art. 171, § 3º, do Código Penal), considerando a regularidade formal do ato e a ausência de prova inequívoca de impedimentos legais ao matrimônio.
O DISSENSO JURÍDICO — De um lado, o Ministério Público sustentou que os denunciados induziram a União a erro mediante fraude consubstanciada na simulação do casamento com servidor público federal aposentado, com a finalidade de obter pensão por morte e auferir vantagem econômica indevida em prejuízo do erário. De outro, o Tribunal de origem assentou que a vantagem não é indevida, pois decorre de benefício previdenciário legalmente instituído, cujos requisitos foram preenchidos, e que o casamento observou todas as formalidades legais, sem impedimentos dirimentes ou nulidades.
A MATRIZ NORMATIVA — O art. 171, caput e § 3º, do Código Penal tipifica o estelionato e comina causa de aumento quando o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público, exigindo, como elemento nuclear do tipo, a obtenção de vantagem ilícita mediante fraude que induza ou mantenha alguém em erro; a controvérsia gira em torno de saber se a percepção de benefício previdenciário formalmente regular preenche esse elemento.
Ratio Decidendi (Fundamentos Determinantes)
DELIMITAÇÃO DA CONTROVÉRSIA — A questão consiste em saber se há tipicidade na conduta de celebrar casamento com o suposto objetivo exclusivo de obtenção de pensão por morte, seguido do falecimento do cônjuge, de modo a configurar estelionato previdenciário, considerando a regularidade formal do ato...
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Laboratório de Prova Oral
Pergunta
O casamento celebrado com o suposto propósito exclusivo de obter pensão por morte de servidor público federal, seguido do falecimento do cônjuge e da percepção do benefício, caracteriza estelionato previdenciário? Como se resolve a tensão entre a motivação interesseira do ato e a sua regularidade formal?
Legislação Citada
Classificação Editorial
Direito Penal — Crimes contra o patrimônio — Estelionato — Art. 171, § 3º, do Código Penal — Estelionato previdenciário — Pensão por morte — Atipicidade — Info 878/STJ — AgRg no REsp 2.230.017/PB